quarta-feira, 11 de julho de 2012

As asas que me faltaram e as que não me faltarão - 18/11/2002


                    Tenho procurado localizar algum assunto para escrever, mas tem sido difícil. Em meio a tanta coisa acontecendo, falta tempo para refletir e aí não há assunto. Para não deixar tanto tempo sem uma cronicazinha, resolvi escrever sobre fatos que me aconteceram - mais algumas histórias para serem contadas aos futuros netos.
                     Minha última crônica falava sobre um desejo remoto e meio incompreensível de voar, deixando mesmo um pouco de dúvida sobre a sanidade mental deste que aqui escreve.
                      Bem, ali no espaço de tempo entre o primeiro e o segundo turno das eleições presidenciais, resolvemos pregar algumas cartazes do Lula em postes de Itaú. Com uma carência muito grande de material, mas uma disposição também grande para angariar votos, resolvemos aproveitar os cartazes que tínhamos enfeitando o comitê e partimos, em uma noite de quinta feira a colocar os cartazes escolhendo os poste de melhor localização para aproveitar bem o pouco material que possuíamos. Estávamos em quatro pessoas em uma caminhonete e íamos retirando os cartazes velhos que já tinham perdido seu objetivo para evidenciar o nosso. Ali estavam escadas, ferramentas, um litro d'água e ali íamos de um lado para outro. De um modo geral, apesar de ser o mais velho da turma, era eu que subia na escada. Nunca tive medo de altura e essa moçada de hoje, sei não...Pregamos vários cartazes, inclusive no calçadão, conversando com as pessoas e agüentando as brincadeiras de vários alunos encontrados por ali.
                     Quando já estávamos quase encerrando nossa tarefa na Rua Dr. José Balbino, aconteceu que eu estava em cima da escada e acabou a fita colante. Nessa hora, o rapaz que deveria estar segurando a escada distraiu-se e ela, que estava sobre um passeio em declive, começou a cair. Num lapso de tempo novamente me deu vontade de ter asas para voar. Mas eu não tive. Tive tempo de ver que estava caindo e ainda tentei dar um impulso para pular para trás. Isso só aumentou a velocidade da queda e eu pranchei no chão. Levantando apenas a cabeça, vi que algo tinha acontecido com meu cotovelo, avisei que tinha quebrado e após acomodar o braço sobre o corpo deitei novamente. Nessa hora já havia uma aglomeração de pessoas e como eu continuava imóvel (para não aumentar a dor no braço) muitos acharam que eu tinha quebrado a cabeça, a coluna ou não sei mais o quê. Eu estava imundo pela sujeira dos postes, suado e me colocaram ca caminhonete, junto com os cartazes velhos. Eu devia estar parecendo um indigente em meio ao lixo. Ao parar em frente o pronto-socorro, enquanto a maca não vinha, tomei quase um litro de água e as enfermeiras ainda sem me reconhecerem, acharam que eu estava tomando alguma bebida alcoólica. Depois foi o atendimento, imobilização e encaminhamento para Passos. A família preocupada, meu filho bravo comigo. O motorista da ambulância era novato em sua primeira viagem e ao invés de correr para chegar logo, ia devagar para evitar solavancos. E a cada buraco e lombada eram dois gemidos: um meu e outro do acompanhante, super preocupado comigo.
                     Em Passos, radiografia e laudo do médico: - Não houve fratura, apenas luxação, tão grave quanto quebrar. Gesso e vinte dias de molho. E o resultado foi esse. Hoje já estou sem gesso, mas ainda não recuperei toda a movimentação do braço e estou sofrendo uma fisioterapia. Valeu a pena? É claro que sim: Lula está eleito! E a piadinha da vez é que pelo Lula eu dou o braço a torcer. Literalmente.
                    Marcas? Ficarão com certeza. No corpo e na alma. Mas não vale a pena viver sem ter marcas, sem deixar marcas. Alguns gostar de ver a história acontecer. Eu nasci para fazer parte da história e tenho visto resultados. Podem me faltar asas físicas para voar. Mas para meus sonhos, minhas esperanças e meus planos não faltam asas. E eles voam alto (lá onde o condor voa). "Se seus sonhos estiverem nas nuvens, não se preocupe, pois eles estão no lugar certo; agora construa os alicerces."
"O sonhador cai da escada, mas se levanta para alcançar seus sonhos"(R.)

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